Live’N'Louder Porto Alegre

Live’N'Louder – 15 de Outubro – Gigantinho

A tarde de 15 de Outubro preparava uma explosão de Metal em Porto Alegre. Era o Live ‘n’ Louder Rock Fest que acontecia no Gigantinho, reunindo algumas das maiores bandas do Heavy Metal mundial. Foram 10 horas de ótima música no maior evento que Porto Alegre já presenciou.

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Horas antes da abertura dos portões uma imensa fila se formou no Gigantinho. Gente de vários lugares. Porto Alegre, interior do RS, Santa Catarina, Paraná e até da Argentina pra assistir ao Live ‘n’ Louder. Apesar do público abaixo do esperado, Porto Alegre presenciou o maior festival de música de sua história. 

TOCCATA MAGNA 

Tudo começou às 15:48, 12 minutos antes do previsto, com o show de abertura da Toccata Magna. Misturando Metal e música andina, os gaúchos agradaram logo de cara, subindo ao palco com uma bandeira do RS. Foram 3 músicas do primeiro CD da banda, incluindo a faixa título Incognite Soul, com a qual a Toccata recebeu uma boa resposta do público. Para fechar, uma versão estilizada de “The Evil That Man Do” do Iron Maiden. 

THE 69 EYES 

Em seguida, às 16:38, os ilustres desconhecidos do The 69 Eyes subiram ao som de “Devils”, do disco homônimo. Com seu visual ímpar e seu Gothic Metal com pitadas de Hard Rock, agitaram como se estivessem sabendo muito bem onde pisavam. O fato de tocarem para um público variado em um país distante, não fez com que Jirky69 (vocal), Jussi69 (bateria), Bazie (guitarra), Timo-Timo (guitarra) e Archzie (baixo) se intimidassem. Com muita personalidade emendaram “Hevioso” e “The Chair”. Logo depois, dedicaram aos alemães do Scorpions, headliners da noite, a perfeita “Feel Berlin”. A presença de palco dos integrantes do The 69 Eyes chamou a atenção pelo fato de se tratar de uma banda gótica e principalmente pela atuação impressionante do batera Jussi69, que tocava bateria com vigor e personalidade, movimentando muito os braços e volta e meia cuspindo cerveja para o ar.

The 69 Eyes ainda detonaram Gothic Girl, Sister of Charity, Dance d’Amour, entre outras, mas o ponto alto foi mesmo a aguardada “The Lost Boys”, que chegou ao primeiro lugar nas paradas de sucesso na Finlândia, país de origem do quinteto. “The Lost Boys” foi o primeiro momento de grande reação do público no LnL. “Brandon Lee” fechou o show e às 17:23 os finlandeses se despediram aparentando muita satisfação. 

RAGE

Apenas 20 minutos após o The 69 Eyes ter deixado o palco, foi a vez do Rage entrar em cena. Abriram com a porrada “Don´t Fear the Winter” e emendaram “Great Old Ones”, explodindo o Gigantinho. O mar de mãos que se repetiria por horas, formou-se pela primeira vez durante essas duas músicas. Ao final de “Great Old Ones” o vocalista Peter “Peavy” Wagner era só sorrisos, maravilhado com os gritos massivos de “Rage, Rage, Rage”. 

Sem perder o ritmo do show, o Rage emendou “Firestorm”, “Black in Mind” e “Down”, impecavelmente executadas e muito aplaudidas. Então Peavy e Mike Terrana deixam o palco.

O solo de guitarra de Victor Smolski foi perfeito. Mesclando virtuosismo e feeling, utilizando várias técnicas o russo levantou a galera com um solo bonito, técnico e muito bem executado até que Peavy e Mike voltassem para “Soundchaser”, faixa título do último album da banda. Então Peavy e Victor deixaram o palco para o solo de bateria de Mike Terrana. Um pouco demorado, mas nem por isso cansativo. Terrana espancou sua bateria com uma vontade poucas vezes vista em Porto Alegre. Violento e Técnico, o solo de Terrana impressionou até quem nunca pensou em tocar bateria. 

Baquetas para o público e a banda volta para “Set This World on Fire”, “War of Worlds” e a saideira “Higher Than the Sky”, cantada fervorosamente pelos fãs.

Quem esperava que o Rage fosse deixar a desejar ao vivo pela falta de uma guitarra ou teclados, viu um power trio conciso e extremamente competente, que não deixou furos. E quem não conhecia o Rage, passou a conhecer uma excelente banda de Metal. 

DESTRUCTION

Os alemães do Destruction, escalados na última hora para substituírem o Testament como atração Thrash do Live ‘n’ Louder, mostraram porque foram escolhidos num set reduzido de 54 minutos (19:02 até 19:56). Reduzido, mas nem por isso menor. Abriram com a violentíssima “Curse the Gods”. Em seguida as clássicas Nailed to the Cross e Mad Butcher.

Andando de um lado pra outro no palco e fazendo uso de três microfones, o vocalista Marcel Schmier cantou muito bem, o guitarrista Mike e o batera Marc não ficaram atrás, formando a massa sonora poderosíssima dos alemães.

O show foi uma porrada atrás da outra, contando ainda com Soul Collector (do ultimo álbum) Thrash ‘Till Death e Total Destruction.

Schmier ainda falou sobre a importância da união entre os fãs de Metal, dizendo que somente assim o Metal se torna maior e mais forte e que esse é o único caminho pra que o metal cresça. Sábias palavras.

Para finalizar a quebradeira, “The Butcher Strikes Back”. Não poderia ser melhor.

SHAAMAN

O Shaaman fez no Live ‘n’ Louder o segundo show de divulgação do álbum Reason em Porto Alegre. Exatamente às 20:25, ao som da introdução instrumental, a banda subiu ao palco do festival para “mostrar como se faz Heavy Metal no Brasil” (Palavras do próprio Andre Matos). 

Desde a primeira música, “Turn Away”, o Shaaman foi prejudicado por dois motivos: Um deles foi a pior regulagem de som da noite. Distant Thunder, que teve excelente resposta do público, foi a menos pior nesse quesito, mas For Tomorrow, Here I Am foram muito prejudicadas pela sonorização. 

O outro aspecto foi uma surpresa: o baterista Ricardo Confessori, numa atuação no mínimo duvidosa. O excelente baterista do Shaaman errou várias vezes, se perdia no meio das músicas e errava nas entradas de determinados trechos, prejudicando as atuações perfeitas dos irmãos Hugo e Luís Mariutti. 

A regulagem dos microfones também foi um problema. O microfone do backing vocal de Hugo estava altíssimo enquanto a voz de Andre sumia em vários trechos.

Antes de Innocence, André falou sobre sua admiração pelo orgulho que os gaúchos têm de sua terra, e pediu que a galera cantasse novamente o Hino Gaúcho (algo que tinha acontecido em um show do Shaaman na tour do disco Ritual no bar Opinião). 

More e Pride foram as músicas seguintes, como o som bem melhor. A partir daí até o final o som melhorou. 

Quando todos pensavam que era o fim, o Shaaman volta pra executar uma versão de Lisbon, do Angra. 

NIGHTWISH

22:02. Chegou a hora. Nightwish pela 3a vez em POA. Pista cheia. A introdução levantou o Gigantinho em peso. Um a um foram entrando no palco: Jukka Nevalainen (bateria), Emppu Vourinen (guitarra), Toumas Holopainen (teclados), Marco Hietala (baixo e voz) para a executar Dark Chest of Wonders. Mas a explosão maior estava por vir: a entrada da vocalista Tarja Turunen. Ovacionada, acenava e sorria entre um trecho e outro. Tarja, que passou a sexta-feira se recuperando de uma gripe (faltou à coletiva de imprensa por isso) mostrou que se recupera muito bem em 24 horas. Voz perfeita, afinação perfeita, tudo impecável.

O Set List seguiu com Planet Hell e The Siren. Tarja, em português, saudou a galera com um simpático “Boa noite Brasil… Tudo bem com você? Muito Obrrrrigada”. Logo depois um dos pontos altos do show: Phantom Of The Opera, com o duo maravilhoso de Tarja e Marco.

O Nightwish primou por músicas do último album, Once, mas não deixou de executar clássicos como Slaying The Dreamer e Wishmaster. A MTVística Nemo teve introdução de teclado e intimação ao público, que cantou junto a música do começo ao fim. Até os muitos pais presentes no LnL cantaram.

O sempre aguardado cover, cantado pelo baixista Marco Hietala, surpreendeu: High Hopes, do disco The Division Bell do Pink Floyd. Mais pesada e com um arranjo de teclados mais eleborado, a canção emocionou. Kuolema Tekee Taitelijan, faixa em finlandês que a vocalista Tarja Turunen cantou sozinha, acompanhada apenas por um sampler, foi igualmente emocionante. 

O carisma da banda também foi um ponto importante. Tarja sorria e acenava. Toumas tinha em frente aos teclados uma miniatura do Capitão Jack Sparrow (de Piratas do Caribe) que por acaso é igual a ele. Emppu correndo e Marco interagindo com a galera foram pontos a favor de uma banda que não precisa de pontos a favor. 

A ótima presença de palco de todos, principalmente do guitarrista Emppu Vourinen chamou a atenção durante os quase 90 minutos da apresentação dos finlandeses.

A banda deixou o palco às 23:10, sendo o baixista Marco o último com um simpático “good night”. Então vieram os gritos de “Nightwish, Nightwish” e a banda volta para tocar a saideira, “Wish I Had an Angel”, a cereja do bolo.

SCORPION

Antes do show do Scorpions o público diminuiu um pouco. Depois de um cansativo intervalo de exatamente uma hora, em função de problemas na bateria, os alemães sobem ao palco com um som nitidamente mais alto que as outras atrações do festival. “New Generation”, primeiro single do último álbum, Unbreakable, agradou logo de cara, seguida de “Love’em or leave’em”. Presença de palco, carisma, técnica, tudo que pode-se esperar de uma grande banda o Scorpions apresentou logo nas primeiras músicas. E os clássicos mais conhecidos ainda estavam por vir.

“Bad Boys Running Wild” levantou a galera tanto quanto muitas músicas da atração anterior. “The Zoo” não foi diferente. As guitarras perfeitamente timbradas de Rudolf Schenker e Matthias Jabs enchiam o Gigantinho. A voz perfeita de Klaus Meine encantava a todos os fãs. A interação da banda com o público foi nota 10. Klaus dançava entre os trechos de voz e levava o microfone até a primeira fila com freqüência. 

“Deep and Dark” também marcou. Em seguida o set acústico com o famoso violão Flying-V de Rudolf, com “Always Somewhere” e “Holiday”, esta última com aplausos e gritos de êxtase do público. 

Klaus então começa a fazer vocalizações nas notas do assovio característico de “Wind of Change” com frases como “We´re in Porto Alegre tonight” mas o que vem não é essa e sim o final de Holiday para então, iniciarem “Wind of Change”, um dos pontos mais altos do Show, com melhor resposta da platéia até então.

“Loving You Sunday Morning” e “Tease me, Please me” antecederam um ótimo solo de bateria de James Kottak. Blackout teve o refrão cantado aos berros por todos os presentes. “Big City Nights”, igualmente. Então a banda se despediu. Mas todos ali presentes sabiam que essa história não acabava ali.

Envolto em uma bandeira brasileira e com uma camisa com as cores do Brasil, o vocalista Klaus Meine volta para as já aguardadas “Still Loving You” (“We’re still loving you, Brazil” gritou Meine) e “Hurricane 2001”.

Os Scorpions mostraram que ainda estão “muito bem, obrigado”, e que sabem fazer Hard Rock como poucas bandas hoje sabem. Mesmo com o maior set do festival, pouco mais de 90 minutos, deixaram aquela sensação de que o show poderia ser mais longo. 

Porto Alegre merece outros festivais como esse. Fica a sensação de que presenciamos um momento histórico e a ansiedade para que ele se repita. Esperamos que as comparações com o finado Monsters of Rock não fique apenas no campo dos boatos e que se concretize a possibilidade de termos um Live ‘n’ Louder a cada ano. Mas uma coisa é certa: foram as 10 horas mais significativas do Heavy Metal no Rio Grande do Sul.

Opiniões Coletadas:

“Rage? Não tem o que falar do Rage! Só bem! Quem falar mal é um babaca!” – Joey Guzzman, baixista da banda Simon Chainsaw and the Hippy Killers

“Vim pra ver o Scorpions, já que a juventude foi com essas bandas de Metal, Mas Mike Terrana fez cair a casa!” – Richard Powell, Guitarrista

“Vim pra ver o Testament, mas enfim, vim pra ver todas. Faltou uma banda de Black Metal, mas é importante que as pessoas vejam que aqui tem público e aqui é possível fazer um festival desse tamanho” – Dornelles, Fã de Heavy Metal

“Vim pra ver o Rage, mas achei um desperdício eles terem tocado tão pouco e terem feito dois solos no meio de um show curto. E a expectativa agora é o Scorpions!” – Gustavo B. Rock , Arrasa Quarteirão, Rádio Ipanema.

“Todas, do The 69 Eyes até o Scorpions. Scorpions é pra chorar!!” Douglas Davin – Vocalista da banda Profana

Por Marcel Bittencourt (Colaborador)
Porto Alegre – 15/10/2005

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