Chuck Berry pela terceira vez em Porto Alegre: Long Live Rock N’Roll

Chuck Berry – 14 de Maio de 2010 – Teatro do Bourbon Country

Há 60 anos, nos Estados Unidos, quando os negros ainda não podiam freqüentar as mesmas escolas e ocupar os mesmos lugares nos ônibus que os brancos, nascia a música que hoje preenche nossos aparelhos de MP3, celulares, Ipods, cd´s, dvd’s, etc. Numa fusão de Rhythm and Blues, constituído essencialmente por ritmos negros como o Blues e o Gospel, com o Folk e a música Country, tradicionalmente brancos, surge o Rockabilly, que transformou o mundo da música, criando as bases para o Rock’n’Roll que hoje conhecemos. Chuck Berry estava lá.

Também estava ontem, no dia 14 de maio de 2010, em Porto Alegre, no palco do Teatro do Bourbon Country, mostrando porque é um dos ícones do rock clássico, influenciando artistas como Rolling Stones, Eric Clapton e Jimi Hendrix. O show iniciou às 21:04hs, com uma das músicas mais conhecidas de sua carreira, “Roll over Bethoven”.

Quando Chuck Berry entra no palco empunhando sua guitarra, a sensação de estar presenciando um momento especial parece tomar conta do público, não tão grande quanto animado. A segunda música a ser tocada, outro clássico, é “School days”. Na terceira música, “Wee wee hours”, apresenta seu guitarrista: “My son!”, ele diz.

Na próxima canção, “Sweet little sixteen”, faz uma adaptação na letra e canta “… right here in Porto Alegre…”, demonstrando seu grande carisma que esteve presente durante os quase 50 minutos de show.

Logo após executar “Carol”, a platéia muito entusiasmada brada “Chuck! Chuck! Chuck”. E ele, sorrindo, pergunta “Que pasa?”, falando espanhol, o idioma da próxima canção que mostrou ao público, “Song of my love”. Após tocá-la, desculpa-se pelos erros da letra, dizendo “I forgot the lyrics, but I tried…”.

“Let it rock” e “Around and around” levantam ainda mais a platéia, principalmente seu jovem público que ocupa as primeiras cadeiras em frente ao palco. Tanto que Berry, dirigindo-se a um deles, diz no microfone: “I’ve got a real fan here! What’s your name, by the way?”. O rapaz responde e, aproveitando a oportunidade única, levanta-se e oferece sua mão, esperando um cumprimento de seu ídolo. Berry, muito atencioso, aperta a mão do rapaz. Instantaneamente, toda a primeira fila levanta-se estendendo a mão em direção a Berry. Ele corresponde a todos que pode, mas avisa ao público que tem de continuar tocando para todas as pessoas que estão ali.

Depois de tocar “You never can tell”, Berry decide afinar sua guitarra com ajuda do teclado. Justificando a demora para conseguir a afinação certa, Berry, batendo o pé no chão, como se quisesse reforçar a informação, diz “I’m old! I’ve got 83! I’m old!”, afirmando ter dificuldades para ouvir. “Ok! I’m ready! Sorry ladies and gentlemen…”, finaliza, rindo de si mesmo.

Na próxima canção, “My ding-a-ling”, Berry toca só, deixando o refrão para a platéia cantar. Enquanto executa a música, Chuck Berry Jr. sai do palco e volta com um afinador, para resolver os problemas do pai. Eles trocam de guitarra: enquanto Berry inicia novamente “My ding-a-ling” com a Fender Stratocaster do filho, Berry Jr. afina a Semi-acústica do pai. Depois de terminar o serviço, destrocam as guitarras, momento em que um pequeno acidente acontece: Chuck Berry Jr., tropeçando no cabo de sua própria guitarra, cai, ganhando aplausos da platéia. A sensação é de que, aconteça o que acontecer, tudo é diversão.

Depois de tocar “Memphis, Tennessee”, vem a música talvez mais aguardada da noite, “Johnny B. Goode”, que faz o público levantar de suas confortáveis cadeiras. Um dos jovens alucinados da primeira fileira sobe no palco e antes que o segurança o retire, Chuck Jr. permite que ele fique, indicando com o braço que vá até o centro do palco cantar com seu pai. Berry, sempre sorridente, encarrega seu fã de cantar os refrões.

Chegando ao fim do show, na última música, desce o garoto e sobem as garotas, em um momento já tradicional em seus shows. “Reelin’ and rockin’” transforma o teatro inteiro numa grande festa e Chuck Berry parece adorar aquilo. É nessa música que podemos ver ao vivo, por breves segundos, o seu famoso passo, conhecido como “andar de pato”, em que coloca sua guitarra para o lado e, agachado, vai andando para frente num movimento esquisito. Berry sai do palco e ainda se ouvem os acordes de sua guitarra enquanto a banda continua tocando. A música acaba, as garotas voltam aos seus lugares e Chuck Berry Jr. apresenta seus companheiros de banda. Assim termina o show.

Durante todo o espetáculo, Chuck Berry demonstrou, de variadas formas, uma enorme simpatia e uma atenção incomum com o público. Posou para fotos, conversou, deixou que seus fãs cantassem, pediu que cantassem, elogiou os que cantaram e, sobretudo, sorriu. Sorriu muito, demonstrando o quanto gosta de estar em cima do palco, fazendo seu público sorrir. Sorriu até mesmo nos inúmeros momentos em que esqueceu onde deveria posicionar seus dedos no braço da guitarra. Por diversas vezes, enquanto sua banda tocava, Berry mantinha sua mão parada, procurando o lugar certo para tocar, numa expressão em que parecia se perguntar “Como é que eu faço essa nota mesmo?”. Consciente de suas limitações, encarregava seu filho e seu exímio tecladista de alguns solos, comandando a banda com suas características qualidades de bandleader. É importante dizer que pouco importam essas limitações técnicas causadas por sua idade para a qualidade total do espetáculo. O público parece aplaudir igualmente seus erros e seus acertos, pois é impossível não se comover com seu esforço para continuar a mostrar sua música. Mesmo lentas e imprecisas, suas mãos ainda tocam Rock and Roll Music. E ele permanece cantando o que todos nós sentimos e desejamos: “Long live rock and roll! The feelin’ is there, body and soul.”.

SET LIST:

1 – Roll over Bethoven
2 – School days
3 – Wee wee hours
4 – Sweet little sixteen
5 – Carol
6 – Song of my love
7 – Let it rock
8 – Around and around
9 – You never can tell
10 – My ding-a-ling
11 – Memphis, Tennessee
12 – Johnny B. Goode
13 – Reelin’ and rockin’

Por Mariele Giovanaz
Fotos: Francine Lasevitch

Há 60 anos, nos Estados Unidos, quando os negros ainda não podiam freqüentar as mesmas escolas e ocupar os mesmos lugares nos ônibus que os brancos, nascia a música que hoje preenche nossos aparelhos de MP3, celulares, Ipods, cd´s, dvd’s, etc. Numa fusão de Rhythm and Blues, constituído essencialmente por ritmos negros como o Blues e o Gospel, com o Folk e a música Country, tradicionalmente brancos, surge o Rockabilly, que transformou o mundo da música, criando as bases para o Rock’n’Roll que hoje conhecemos. Chuck Berry estava lá.

Também estava ontem, no dia 14 de maio de 2010, em Porto Alegre, no palco do Teatro do Bourbon Country, mostrando porque foi um dos ícones do rock clássico, influenciando artistas como Rolling Stones, Eric Clapton e Jimi Hendrix. O show iniciou às 21:05hs, com um dos clássicos de sua carreira, “Roll over Bethoven”. Quando Chuck Berry entra no palco empunhando sua guitarra, a sensação de estar presenciando um momento especial parece tomar conta do público, não tão grande quanto animado. A segunda música a ser tocada é outra de seus clássicos, “School days”. Na terceira música, “Wee wee hours”, apresenta seu guitarrista: “My son!”, ele diz.

Na próxima canção, “Sweet little sixteen”, faz uma adaptação na letra e canta “… right here in Porto Alegre…”, demonstrando seu grande carisma que esteve presente durante os quase 50 minutos de show.

Logo após executar “Carol”, a platéia muito entusiasmada brada “Chuck! Chuck! Chuck”. E ele, sorrindo, pergunta “Que pasa?”, falando espanhol, o idioma da próxima canção que mostrou ao público, “Song of my love”. Após tocá-la, desculpa-se pelos erros da letra, dizendo “I forgot the lyrics, but I tried…”.

“Let it rock” e “Around and around” levantam ainda mais a platéia, principalmente seu jovem público que ocupa as primeiras cadeiras em frente ao palco. Tanto que Berry, dirigindo-se a um deles, diz no microfone: “I’ve got a real fan here! What’s your name, by the way?”. O rapaz responde e, aproveitando a oportunidade única, levanta-se e oferece sua mão, esperando um cumprimento de seu ídolo. Berry, muito atencioso, aperta a mão do rapaz. Instantaneamente, toda a primeira fila levanta-se estendendo a mão em direção a Berry. Ele corresponde a todos que pode, mas avisa ao público que tem de continuar tocando para todas as pessoas que estão ali.

Depois de tocar “You never can tell”, Berry decide afinar sua guitarra com ajuda do teclado. Justificando a demora para conseguir a afinação certa, Berry, batendo o pé no chão, como se quisesse reforçar a informação, diz “I’m old! I’ve got 83! I’m old!”, afirmando ter dificuldades para ouvir. “Ok! I’m ready! Sorry ladies and gentlemen…”, finaliza, rindo de si mesmo.

Na próxima canção, “My ding-a-ling”, Berry toca só, deixando o refrão para a platéia cantar. Enquanto executa a música, Chuck Berry Jr. sai do palco e volta com um afinador, para resolver os problemas do pai. Eles trocam de guitarra: enquanto Berry inicia novamente “My ding-a-ling” com a Fender Stratocaster do filho, Berry Jr. afina a Semi-acústica do pai. Depois de terminar o serviço, destrocam as guitarras, momento em que um pequeno acidente acontece: Chuck Berry Jr., tropeçando no cabo de sua própria guitarra, cai, ganhando aplausos da platéia. A sensação é de que, aconteça o que acontecer, tudo é diversão.

Depois de tocar “Memphis, Tennessee”, vem a música talvez mais aguardada da noite, “Johnny B. Goode”, que faz o público levantar de suas confortáveis cadeiras. Um dos jovens alucinados da primeira fileira sobe no palco e antes que o segurança o retire, Chuck Jr. permite que ele fique, indicando com o braço que vá até o centro do palco cantar com seu pai. Berry, sempre sorridente, encarrega seu fã de cantar os refrões.

Chegando ao fim do show, na última música, desce o garoto e sobem as garotas, em um momento já tradicional em seus shows. “Reelin’ and rockin’” transforma o teatro inteiro numa grande festa e Chuck Berry parece adorar aquilo. É nessa música que podemos ver ao vivo, por breves segundos, o seu famoso passo, conhecido como “andar de pato”, em que coloca sua guitarra para o lado e, agachado, vai andando para frente num movimento esquisito. Berry sai do palco e ainda se ouvem os acordes de sua guitarra enquanto a banda continua tocando. A música acaba, as garotas voltam aos seus lugares e Chuck Berry Jr. apresenta seus companheiros de banda. Assim termina o show.

Durante todo o espetáculo, Chuck Berry demonstrou, de variadas formas, uma enorme simpatia e uma atenção incomum com o público. Posou para fotos, conversou, deixou que seus fãs cantassem, pediu que cantassem, elogiou os que cantaram e, sobretudo, sorriu. Sorriu muito, demonstrando o quanto gosta de estar em cima do palco, fazendo seu público sorrir. Sorriu até mesmo nos inúmeros momentos em que esqueceu onde deveria posicionar seus dedos no braço da guitarra. Por diversas vezes, enquanto sua banda tocava, Berry mantinha sua mão parada, procurando o lugar certo para tocar, numa expressão em que parecia se perguntar “Como é que eu faço essa nota mesmo?”. Consciente de suas limitações, encarregava seu filho e seu exímio tecladista de alguns solos, comandando a banda com suas características qualidades de bandleader. É importante dizer que pouco importam essas limitações técnicas causadas por sua idade para a qualidade total do espetáculo. O público parece aplaudir igualmente seus erros e seus acertos, pois é impossível não se comover com seu esforço para continuar a mostrar sua música. Mesmo lentas e imprecisas, suas mãos ainda tocam Rock and Roll Music. E ele permanece cantando o que todos nós sentimos e desejamos: “Long live rock and roll! The feelin’ is there, body and soul.”.

SET LIST:

1 – Roll over Bethoven

2 – School days

3 – Wee wee hours

4 – Sweet little sixteen

5 – Carol

6 – Song of my love

7 – Let it rock

8 – Around and around

9 – You never can tell

10 – My ding-a-ling

11 – Memphis, Tennessee

12 – Johnny B. Goode

13 – Reelin’ and rockin’

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